Eu acho que esse foi um ano ruim para o design em geral e não estou muito certa do que tenho visto ultimamente. Na maior parte das vezes, eu sinto como se estivesse testemunhando o total abandono do design gráfico. É como se toda a indústria estivesse gritando:
SOMOS POBRES
ESTAMOS COM MEDO e
SOMOS IDIOTAS.
(…)
Muitos jovens designers talentosos abandonaram seu papel em melhorar o ambiente visual geral. Muitos só querem trabalhar em projetos culturais, ou sem fins lucrativos, ou em projetos que eles entendem que são “bons para a sociedade”. Isso pode ser valorizado dentro da comunidade dos designers, mas de fato não atinge as pessoas comuns. Esses designers tem medo de se envolver nas áreas dominantes de design de embalagem, design promocional ou corporativo. Eles esquecem que esses são os produtos e mensagens com as quais a maior parte das pessoas realmente se defronta no cotidiano, que esses produtos e serviços estão no coração da América e que há a responsabilidade para nós, como designers, de sempre aumentar a expectativa do que o design pode ser. Nós somos responsáveis por essa experiência cotidiana. Esses designers intelectuais deixam a tarefa para outros (agências de publicidade, micreiros, etc) que estão trabalhando somente pelo dinheiro e frequentemente não se importam com o resultado.
(…)
Eu acho que foi a comunidade de designers que causou isso. O manifesto “First Things First” inspirou muitos jovens a afastarem-se dos projetos corporativos de branding, publicidade, design promocional, design de embalagem (com exceção de livros e revistas, como se fossem de alguma forma mais nobres). Se esses designers conscientes, que se importam com a sociedade e com o meio ambiente, se recusam a trabalhar nas áreas de branding, publicidade, design promocional e design de embalagens, então imagine, quem o fará? Essa corrente de design-thinking está sendo perpetuada em tantas escolas de design, programas de pós-graduação e também pela AIGA e outras organizações de designers. É fácil inspirar jovens designers desse jeito, criando uma verdadeira missão para eles: “abaixo as corporações da América”, etc. Mas, no fim das contas, cria uma sociedade de designers na qual se aceita que eles abandonem a maior parte da comunicação visual americana. Meu deus!
O problema está colocado: muitos designers distanciam-se de projetos mundanos, como design de embalagens, seja pelo difícil acesso ao mundo dos gigantes corporativos, seja pelo desinteresse dos próprios designers em tentar superar as diferenças culturais que dificultam o diálogo com esses clientes. Ao mesmo tempo, a “nobre” área cultural é um refúgio que, infelizmente, atinge apenas uma pequena parcela da sociedade.
No catálogo da última bienal brasileira de design da ADG (2009), na seção “Design propulsor de economia”, João de Souza Leite explica que, no Brasil, o “divórcio” entre os designers e a “economia real” tem raízes históricas. Existe na sociedade brasileira uma tradicional separação entre a alta cultura e o trabalho, sendo a aplicação prática pouco enfocada na educação. Além disso, o ensino do design importado da escola alemã sempre privilegiou o pensamento utópico e não a intervenção efetiva na realidade.
O resultado é que, ao invés de serem agentes, os designers assistem frustrados a uma produção visual massiva de baixa qualidade. Conviver com tanto trabalho mal feito dá uma ideia de quanto há para ser melhorado. Segundo Scher, é nossa a responsabilidade de aumentar a expectativa do que o design pode ser.
I think this has been a bad year for design, in general, and I’m not sure what I’m seeing lately. Mostly, I feel like I am witnessing the total abandonment of graphic design. It’s as if the whole industry is yelling out:
WE’RE POOR
WE’RE SCARED and
WE’RE STUPID.
(…)
Many talented young designers today have abandoned their roles as improvers of the general visual environment. Many only want to work on cultural work, or not-for-profit work, or on projects they perceive as “good-for-society” which may have a high profile within the design milieu, but don’t really reach ordinary people. These designers are afraid to get involved in mainstream packaging, promotion or corporate work. They forget that these are the products and messages that most people really encounter in their daily lives, that these products and services are at the heart of the American condition, and that there is responsibility for us as designers, always, to raise the expectation of what design can be. We are responsible for that daily experience. These “ivory tower designers” leave the job to others (ad agencies, schlock shops, etc.) who are simply doing it for the money, and are often cynical about the outcome.
(…)
I think the design community has caused it. The “First Things First” manifesto inspired a lot of young people to move away from corporate branding, advertising, promotion, packaging (except for books and magazines, as if they are somehow more noble). If “responsible” designers who care about society and our environment refuse to work on branding, advertising, promotion and packaging, then just consider, who will? This line of design-thinking has been perpetuated in so many design schools and grad programs and it is perpetuated by the AIGA and other design organizations. It’s easy to inspire young designers this way as it creates a real calling for them: “down with corporate America”, etc. But, ultimately, it creates a design society where it is OK for designers to abandon most of American communication. Good God!
The problem is there: many designers stay away from mundane graphic design such as packaging. And the reason might be either the narrow access to these corporate giants, or the lack of interest from designers themselves in trying to overcome the cultural gaps that difficult the dialogue with these clients. At the same time, the noble cultural area is a shelter that, unfortunately, only reaches a small audience.
In the catalogue of the last brazilian design biennial (ADG 2009), section about “Design that pushes economy”, João de Souza Leite explains that, in Brazil, the divorce between designers and the real economy has historical roots. There is a traditional split between high culture and common work, with little enphasis on practical education. Besides that, the educational model imported from german school has always favored the utopian thinking and not an effective intervention in reality.
As a result, instead of agents, graphic designers can only watch with disappointment the grow of a terrible visual production in massive scale. All these bad design gives an idea of how much there is to be improved. According to Scher, the responsibility to raise the expectation of what design can be is ours.

Acertou em cheio minhas questões. Acabo de me formar na mini-ulm brasileira e sempre trilhei o caminho “nobre”.
Até que fui fazer design comercial no início desse ano (confesso que um pouco inconformado).
Bom ver outra posição, imaginar que existe um motivo “nobre” para estar do outro lado.
Obrigado.
Escrito por Rafael em 25.03.2010 às 22:44
Gostei muito do blog, aproveitando queria convida-lo(a)
ao curso de design de embalagem sustentavel no idds são paulo.
Obrigado desde já.
Mais informações:
http://www.idds.com.br
Escrito por maduca em 6.06.2010 às 16:53